Chovia torrencialmente em Los Angeles.E a cada gota que caia no sobretudo de John Constantine o enfurecia e o entristecia mais.
–Ah Chas,como você faz falta. -ele acelerou o passo.
Ele
avistou um bar que faria qualquer ser humano normal não passar nem
sequer pela mesma rua.Era uma entrada com paredes escuras,as janelas
tinham buracos de tiros e rachaduras grandes.As letras com o nome do
bar,antigamente eram em neon mas agora apenas uma letra estava
iluminada:: um E.
De encrenca?pensou John ironicamente.O resto ele não conseguiu indentificar,mas também não fazia diferença,então ele entrou.
Assim
que enpurrou a porta que rangeu sob sua mão,sentiu um forte cheiro de
bebida que vinha de dentro do lugar insalubre.Era justamente do que
precisava.Um porre grande o faria esquecer aquela cena estupida que
vira mais cedo.Por um momento ele hesitou em fechar a porta,havia
pessoas fumando naquele lugar.Será que aguentaria?perguntou-se a si
mesmo.De repente aquela pequena caixa de chicletes anti-tabagista
começou a pesar em seu bolso.Parte do motivo dele usar aquela porcaria
era por ela.Era para que pelo menos tivesse mais tempo de vida para
fazer alguma coisa alem do que conversar sobre coisas macabras com
ela...
Mas o que estava pensando?Ele era John
Constantine,um cara arrogante e prepotente que tirava demonios de
garotinhas,dava murros em anjos e que enganou Lucifer,com certeza
aguentaria entrar em um bar onde o ar tinha um cheiro de cigarro,e
ainda assim não fumar nenhum...Mas ainda assim ele era apenas um cara
que como qualquer outro que poderia pela primeira vez na vida sofrer de
um amor verdadeiro...
–Puff.-ele fechou a porta um pouco frustrado por seus reais motivos de entrar naquela espelunca.
Alguns
homens o olharam de cara feia,mas ele nem se importou.Foi até o balcão
do bar e sentou-se em uma banqueta alta,dando uma olhada em volta onde
pediu o uisque mais forte que tivesse para o garçom.Realmente era um
lugar onde um porre seria perfeitamente aceitavel.Havia homens barbudos
que se espalhavam pelas mesas sujas,com garrafas quase vazias de
bebida.Os garçons andavam de um lado para o outro tentando equilibrar
as garrafas vazias e cheias,mas não foi isso que atraiu a atenção dele.
Uns
quinze minutos depois que chegou,um garoto jovem,que aparentava não ter
nem vinte anos sentou-se ao seu lado e pediu um bebida qualquer.Sua
aparencia não se enquadrava ao lugar.Ele usava jeans que pareciam ter
recem saidos da loja,usava uma camiseta polo preta e uma jaqueta de
couro simples.Seu tenis preto e vermelho revelavam ser de uma marca
famosa e cara,e seu cabelo curto e escuro estava desarrumado,sua pele
era branca e ele era alto.Ele bateu o punho na mesa com raiva.
–Que droga!Porque essas coisas acontecem comigo!?-ele murmurou mal-humorado.
–O
que foi?A namoradinha perfeita brigou com você por não combinar a roupa
do jeito certo e você resolveu afogar as magoas aqui?-Constantine riu
da propria piada sem graça.
–Quem me dera que fosse isso.-o garoto virou-se para ele.
Constantine
logo percebeu.O problema daquele garoto estavam bem longe de ser algo
da vida de uma pessoa normal.Ele emanava um tipo de
aura...sobrenatural.O mesmo tipo que sentia emanar de se amigo
Chas,quando era vivo.Um tipo de sensação com que o fazia ter certeza de
que ele tinha algo a ver com o ''ramo'' sobrenatural,que ele tinha
algum tipo de carreira ali.Assim,resolveu especular.
–Então,o que aconteceu?-ele perguntou,tentando parecer de uma forma com que não fosse nada demais.
–Se
eu contar essa historia vai rir de minha cara.-o garoto balançou a
cabeça em negação.-È algo meio estranho,tipo história de pescador.
–Olha,não
sou uma pessoa que ri facilmente,então conte logo antes que eu perca a
paciencia.-ele lançou seu olhar impaciente ao garoto.
–Tudo
bem.-ele levantou as mãos em sinal de rendição.-Não tenho nada a perder
mesmo.-suspirou.-Agora pouco,quando eu estava voltando para casa,-ele
tomou um gole de sua bebida apertando os olhos.-Vi um monstro...acho
que era um tipo de demonio...-ele olhou para Constantine como se
esperando que ele fosse rir,mas quando viu que não tinha sinal de
riso,continuou.-ele era um homem normal,mas eu sabia que ele era
diferente...
Oque!?John achou alguém que compartilhava o
seu mesmo dom?Será que esse garoto também era como ele?Ele se
perguntou.Constantine começou a se ver naquele garoto quando tinha mais
ou menos essa idade,frustrado e sem saber o que fazer.
–Diferente como?Como você soube diferenciar?-ele não estava acreditando no que o garoto estava falando.
–Eu
não sei como sabia diferenciar,-ele tentou explicar.-eu só sabia.-ele
tomou mais um gole de sua bebida ainda apertando os olhos.-Mas,os olhos
dele também eram diferentes do normal,eles mudavam de cor.
–E o que ele estava fazendo quando o viu?-John perguntou curioso.
–Ele
estava falando com um homem,mas esse era normal.-ele
disse.-Então,quando eu atravessei a rua ele me viu e veio atras de mim.
–Oque você fez?- Constantine perguntou.
–Eu
desatei a correr feito louco,-ele sorriu,sem graça.-e ele continuou
atrás de mim,até que eu entrei num beco sem saida,e ele me parou e me
prensou contra a parede...
–E oque ele queria de você?-John estava cada vez interessado nessa história,se fosse realmente verdade.
–Bom,eu
estava pronto para lutar,-ele tentou parecer firme.-Mas ele perguntou
sobre uma tal de ''lança do destino''...-ele fez aspas nas ultimas
palavras.
Oque esse mestiço queria com a lança?John se
perguntou.Tinha que fazer algo.E rapido.Iria falar com Meia-noite para
descobrir alguma coisa...
–E o que mais ele disse?-John estava precisando de detalhes.-Diga-me exatamente.
–Porque está tão interessado nisso?-o garoto arqueou as sombrancelhas.-Alias,nem sei porque estou te contando isso.
–Se
você deixar de ser um babaca e se me contar o que aconteceu ,talvez eu
possa te ajudar.-John tomou um gole de seu uisque,mas não se
impressionou,ja tinha tomado coisas piores do que aquilo.
–Não
vejo como,mas...-ele passou o dedo em volta da borda do copo e
continuou.-ele perguntou se eu sabia algo sobre a ''lança do
destino'',e então eu falei que nem sabia que isso existia.
John suspirou.Aquele garoto não sabia de nada.
–Foi
então que os olhos dele começaram a mudar de cor,ele arraganhou os
dentes olhou para o lado e falou com raiva,-o garoto tentou imitar o
tom de voz.-''Constantine''.
–Eu conheço muito bem esse cara.-John disse baixinho tomando mais um gole de seu uisque.
–Ai ele me olhou furioso e saiu correndo.-o garoto terminou,olhou para seu copo,mas resolveu não tomar seu liquido.
–Olha,se realmente quiser ajuda,-John tomou o ultimo gole de seu uisque enquanto procurava no bolso do sobretudo.-Me procure.
Ele largou uma nota de 20 dólares encima do balcão e atirou na frente do garoto um cartão preto que dizia.
EXORCISTA
(47)5549-8463
JOHN CONSTANTINE
E então foi em direção a porta do bar,mas parou quando ouviu o garoto falar.
–Você acha que me exorcizando vai resolver o problema?
–Talvez se você exorcizar alguém resolva.
-John respondeu e saiu para a chuva que agora acalmara.
O garoto olhou com mais atenção o cartão,e então percebeu o nome que dizia abaixo do número.
Procurou
rapidamente uma nota de 20 dólares no bolso da jaqueta enquanto ouvia a
porta se fechar,largou-a no balcão e saiu porta afora.Quando olhou, não
viu mais ninguém na rua.
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